apneia do sono

A apneia do sono é a condição na qual a pessoa apresenta interrupção ou diminuição da respiração durante a noite. Ela pode acontecer por ao menos duas razões distintas: obstrução das vias aéreas ou por consequência de algum distúrbio neurológico.

Ter apneia eventualmente é normal, mas ela passa a ser um problema quando ocorre com frequência. Existem pelo menos dois tipos de apneia crônica:

Tipos de apneia do sono

Quando a origem da doença é uma obstrução das vias aéreas, chamamos de apneia obstrutiva do sono.

Já quando a causa para a apneia é um problema neurológico, damos o nome de apneia central. Nela, há uma falha de comunicação do cérebro, que não envia o comando para o corpo respirar.

Ainda não está claro por que este segundo tipo ocorre, mas sabe-se que ambos representam quadros crônicos de saúde — e que portanto exigem tratamento.

Nos parágrafos abaixo, falaremos com mais profundidade sobre o tipo mais comum, que acomete a grande maioria dos casos: a apneia obstrutiva do sono, também chamada de Síndrome da Apneia/Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) ou simplesmente hipopneia.

Por que a apneia obstrutiva do sono deve ser tratada?

Muita gente confunde a apneia do sono com o ronco, mas são coisas muito diferentes.Apesar de ambos poderem ser provocados por algum tipo de obstrução nas vias aéreas, as consequências de uma apneia são muito mais graves do que o incômodo que um ronco alto pode provocar.

Por quê?

Ficar temporariamente sem respirar durante a noite afeta diretamente a quantidade de oxigênio presente no sangue. Na apneia obstrutiva do sono, esse episódio costuma acontecer diariamente e até mesmo mais de uma vez por noite. E é aí que mora o problema.

Quando ocorre essa interrupção, o sistema nervoso tem que trabalhar com mais intensidade para o sangue chegar a todas as partes do corpo. Com isso, o ritmo dos batimentos cardíacos fica mais acelerado e os vasos também tendem a ficar mais contraídos.

Conforme o tempo passa, a falta ou redução de oxigenação no sangue também passa a acontecer durante o dia.

Assim, esse quadro acaba elevando potencialmente as chances da pessoa desenvolver problemas cardiovasculares no longo prazo, como hipertensão e arritmia cardíaca.

Outras complicações de saúde

Segundo Marcus Tulius, chefe da equipe de neurologia do Complexo Hospitalar de Niterói, no Rio de Janeiro, a apneia de sono não tratada pode afetar até mesmo a memória.

Ele lembra, ainda, que pessoas que sofrem com o problema também podem apresentar perda de força física, chamada de astenia, além de uma redução significativa da libido — o apetite sexual.

Da mesma forma, a doença também favorece o acúmulo de gordura abdominal e pode provocar resistência à insulina. Juntos, esses fatores podem contribuir para o desenvolvimento de diabetes do tipo 2.

Por fim, diversos estudos já mostraram haver indícios de que a apneia do sono de longo prazo pode aumentar as chances de uma pessoa desenvolver depressão.

A apneia pode ser fatal?

A principal questão de pacientes com o tipo obstrutivo da apneia é que, se o indivíduo não for tratado, o risco de diversos outros problemas aparecem aumenta dia após dia.

E conforme o tempo passa, esses problemas podem se agravar ainda mais, levando a complicações cada vez mais sérias. Por exemplo: uma das piores consequências de um quadro de apneia do sono não tratada é a ocorrência de um AVC, que tem chances mais elevadas de ocorrer em pacientes com hipertensão.

Então, sim, dependendo do caso, negligenciar o tratamento de apneia pode ser fatal.

Como identificar a apneia do sono?

Muito se pergunta sobre os sintomas da apneia do sono, mas a única forma de identificar o problema é durante à noite, enquanto dormimos. Mas o problema está justamente aí: se estamos dormindo, geralmente não percebemos se temos apneia ou não.

Por isso, é muito importante ir ao médico com regularidade para fazer um check-up e ver se está tudo bem.

Também é muito comum que uma pessoa do convívio perceba que alguém tem apneia. Isso porque, quando ocorre a interrupção temporária na respiração durante o sono, geralmente a pessoa engasga quando volta a respirar — o que torna a identificação do problema bem fácil.

Possíveis sintomas

Além dos episódios de interrupção ou redução do fluxo respiratório à noite, intercalados com engasgos, a apneia do sono também pode provocar sinais típicos de quem teve uma noite mal dormida: cansaço no dia seguinte, sonolência diurna excessiva, desânimo e dores de cabeça pela manhã, entre outros.

Outros sintomas são um pouco mais raros, mas ainda assim podem ocorrer, como refluxo e acordar com sensação de estar sendo sufocado.

Causas e fatores de risco para apneia obstrutiva do sono

Como o próprio nome diz, esse tipo de apneia é provocado por algum tipo de obstrução das vias aéreas. Mas essa obstrução pode acontecer por uma série de razões:

  • Hábitos não saudáveis: consumir bebidas alcóolicas em excesso à noite ou com muita frequência;
  • Obesidade ou sobrepeso: o aumento da circunferência do pescoço e da circunferência abdominal são indícios de que o paciente com este tipo de problema pode ter apneia do sono;
  • Fatores genéticos: ter histórico familiar de apneia obstrutiva do sono também aumenta as chances de desenvolver o problema.

Perfil de quem tem apneia

Geralmente, a doença acontece com mais frequência em homens, mas especialmente em pacientes acima dos 50 anos de idade.

Isso não quer dizer, porém, que mulheres, jovens e pessoas magras no geral não possam desenvolver o problema. Ele não é exclusividade de um gênero ou de uma faixa etária específicos, mas a apneia costuma aparecer com mais recorrência nestes grupos de pessoas.

De acordo com Marcus Tulius, nem mesmo crianças escapam de um possível quadro de apneia obstrutiva do sono. E ele ressalta: “é muito importante os pais ficarem de olho na qualidade de sono de seus filhos e identificarem o quanto antes algum distúrbio que possa estar prejudicando as noites de descanso”.

Como é o diagnóstico?

O primeiro “diagnóstico” pode ser feito pelo marido ou esposa, pais, filhos, companheiros de quarto ou qualquer pessoa que consiga perceber a apneia enquanto o paciente dorme.É importante, porém, não confundir ronco com apneia. O diagnóstico oficial mesmo só ocorre com acompanhamento médico. “Ele é feito através da polissonografia, um exame no qual o paciente é submetido a diversas monitorações durante o sono”, explica o especialista. Ele lembra, ainda, que para que esse exame seja feito é necessário que a pessoa passe a noite dormindo no local onde ele será realizado.

Anote aí: tanto neurologistas quanto otorrinolaringologistas e pneumologistas podem fazer o diagnóstico assertivo de apneia do sono. Eventualmente, porém, você primeiro passará por um clínico geral, que o encaminhará depois para um especialista.

E o tratamento?

O tratamento da apneia é feito por meio de uma abordagem ampla com várias frentes. Primeiro, vêm as recomendações médicas, que incluem:

  • Perda de peso;
  • Diminuição na quantidade de alimentos consumidos à noite;
  • Redução no consumo de bebidas alcoólicas, especialmente à noite;
  • Não utilização de sedativos para dormir;
  • Iniciar a prática de atividades físicas, caso ainda não o faça.

Geralmente, essas medidas já ajudam e muito a aliviar os quadros de apneia do sono. Dependendo do caso, pode até fazer a pessoa se livrar definitivamente do problema.

Quando não resolve, parte-se para o tratamento cirúrgico — que, felizmente, poucas vezes é necessário.

Aparelho para apneia do sono

Outra abordagem terapêutica que pode ajudar é o uso de um aparelho específico para apneia, chamado CPAP (sigla em inglês para Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas).

Ele nada mais é do que uma máscara que o paciente utiliza enquanto dorme. Para o Tulius, esta é a opção mais eficaz para tratar apneia do sono. “Trata-se de um aparelho portátil e de fácil manuseio, acoplado a uma máscara facial ou nasal”, esclarece o neurologista.

O CPAP funciona exatamente como o seu nome em inglês descreve: gerando uma pressão de ar positiva nas vias aéreas, fazendo com que não haja obstrução das vias superiores e, assim, evitando as interrupções respiratórias.

“O ideal é que paciente durma com a máscara todas as noites para que o tratamento funcione de fato”, recomenda.

Apneia tem cura?

Sim. Como já mencionamos acima, a regra geral diz que seguir o tratamento corretamente, usar o aparelho conforme indicação médica e manter os bons hábitos pelo restante da vida podem ajudar a dar um fim à apneia do sono.

Entretanto, é sempre bom lembrar que cada organismo reage de um jeito. E mais: as medidas recomendadas por especialistas não visam a cura da doença, e sim o controle dos fatores de risco e a redução da incidência dos episódios de apneia.

Fonte: https://www.ativosaude.com/

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