inibidores de pcsk9

Uma nova meta-análise lançou um alerta, sugerindo efeitos neurocognitivos do tratamento com inibidor da proproteína convertase subtilisina-kexina tipo 9 (PCSK9), e fornecendo evidência para algumas preocupações passadas de risco com essas drogas – capazes de reduzir profundamente os níveis de colesterol LDL.

A revisão também sugere que o uso de inibidores de PCSK9 não está associado a eventos adversos cumulativos graves, efeitos musculoesqueléticos ou acidente vascular encefálico.

“Os inibidores PCSK9 têm potencial terapêutico considerável e são seguros, como demonstrado pelos estudos realizados até hoje”, disse o Dr. Roberto Bolli (Instituto de Cardiologia Molecular, University of Kentucky) ao Medscape.

“O alerta para efeitos neurocognitivos adversos não impede o uso na população apropriada porque a evidência não é conclusiva”, disse ele. “No entanto, devemos estar cientes deste possível efeito colateral e monitorar nossos pacientes de perto para qualquer sinal ou sintoma durante o acompanhamento”.

A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA recentemente aprovou os inibidores da PCSK9 para o tratamento da hipercolesterolemia em adultos, e “estudos mostraram que eles diminuem o colesterol LDL e melhoram os desfechos cardiovasculares”, escrevem os pesquisadores em um artigo publicado on-line em 10 de janeiro de 2017 no periódico Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes.

Dr. Bolli e colaboradores realizaram uma meta-análise de ensaios controlados randomizados para avaliar a segurança em longo prazo dos inibidores da PCSK9. Eles incluíram na análise 11 estudos (apenas dois grandes) que avaliaram inibidores da PCSK9 e relataram resultados de segurança durante pelo menos seis meses de acompanhamento.

Os pesquisadores observaram que a incidência global de eventos adversos graves é semelhante entre os estudos.
No entanto, quando eles avaliaram apenas os dois grandes estudos (ODYSSEY LONG TERM e OSLER), que representaram cerca de 65% de todos os pacientes, encontraram um aumento de mais de duas vezes na incidência de eventos neurocognitivos (odds ratio 2,81, IC de 95% 1,32 – 5,99; P = 0,007). Esses eventos incluíram delirium (incluindo confusão), distúrbios e alterações cognitivas e de atenção, demência e condições amnésicas, distúrbios no pensamento e na percepção, e transtornos mentais.

Os pesquisadores ressaltaram que, em todos os estudos analisados, os eventos neurocognitivos foram relatados pelo próprio paciente e nenhum estudo teve informações sobre a cognição inicial nos pacientes.

Entre as perguntas de pesquisa agora, escrevem eles, estão qual deve ser o limite inferior para o colesterol LDL e quais subgrupos de pacientes podem estar sob maior risco de eventos neurocognitivos.

“Assim como ocorre com qualquer medicação ou estratégia terapêutica, devemos discutir os riscos e benefícios com o paciente e quaisquer alternativas disponíveis”, disse Dr. Bolli ao Medscape. “Em nossa opinião, devemos compartilhar os resultados desta meta-análise com os pacientes e fazer com que eles e seus cuidadores estejam cientes deste potencial efeito adverso.   Ao mesmo tempo, eles devem ser informados de que os dados não são conclusivos, e de que estudos para resolver este problema estão em andamento.”

“Não achamos que um novo estudo precise ser iniciado apenas para avaliar eventos neurocognitivos”, continuou ele.
“Devemos ser capazes de avaliar o risco de eventos neurocognitivos a partir dos grandes estudos em curso de desfechos. Além disso, conforme recomendado pela FDA, os dados estão sendo reunidos por desenvolvedores de drogas e fabricantes para avaliar o efeito dos inibidores da PCSK9 sobre a cognição”.

Os autores relataram não ter recebido financiamento ou possuir conflitos de interesse relevantes ao tema.

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