De acordo com um novo estudo, o canabidiol, o ingrediente não psicoativo do cânhamo e da maconha, pode tratar o vício em opioides. Em testes realizados com pacientes com dependência de heroína, foi detectada a redução dos desejos acarretados pela droga ilícita, além da diminuição dos níveis de ansiedade.

“O desejo intenso é o que impulsiona o consumo de drogas”, disse Yasmin Hurd, principal pesquisadora do estudo e diretora do Addiction Institute of Mount Sinai. “Se pudermos ter os medicamentos para diminuir esse desejo, isso pode reduzir muito a chance de recaída e o risco de overdose”.

Os medicamentos disponíveis para o vício em opioides, como a buprenorfina e a metadona, atuam de maneira semelhante, diminuindo os desejos. Porém, ainda não são amplamente utilizados. De acordo com o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, apenas um terço dos pacientes americanos com dependência de opioides em centros de tratamento privados realmente recebem esses tipos de medicamentos.

De acordo com o relatório do cirurgião geral de 2016 sobre o vício, apenas 1 em cada 5 pessoas que necessitavam de tratamento para transtornos por uso de opioides estava recebendo qualquer tipo de terapia.

Especialistas em saúde pública dizem que há obstáculos para que esses medicamentos, aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, sejam amplamente distribuídos. Como a metadona e a buprenorfina ainda são opioides, quem pode receitar e quanto pode ser prescrito são altamente regulados. Além disso, o tratamento com esses medicamentos pode exigir visitas frequentes aos profissionais. “É realmente pesado”, disse Hurd.

Preocupações sobre o desvio e dependência dessas drogas permanecem, apesar de seu sucesso na redução da mortalidade em até 59% no ano após o tratamento.

Quase 400 mil americanos morreram de causas relacionadas a opiaceos desde 2000, apenas um pouco menos do que o número de soldados americanos que morreram na Segunda Guerra Mundial. “Tantas pessoas estão morrendo e há uma necessidade de desenvolver medicamentos”, disse Hurd.

Para o seu estudo, publicado na última terça-feira, 21, no American Journal of Psychiatry, Hurd e seus colegas analisaram 42 adultos que tinham uma história recente de uso de heroína e não estavam usando metadona ou buprenorfina.

Recrutados de grupos de serviços sociais, casas intermediárias e centros de tratamento, os participantes usaram heroína por uma média de 13 anos, e a maioria ficou menos de um mês sem usar. Eles tiveram que se abster de qualquer uso de heroína durante todo o período de teste.

Os participantes foram divididos em três grupos: um grupo recebeu 800 miligramas de CBD, outros 400 miligramas de CBD e outro placebo. Todos os participantes foram doseados uma vez por dia durante três dias consecutivos e seguidos durante as duas semanas seguintes.

Durante essas duas semanas, ao longo de várias sessões, os participantes foram mostrados imagens ou vídeos de cenas da natureza, bem como imagens de uso de drogas e apetrechos relacionados a heroína, como seringas e pacotes de pó que se assemelhavam a heroína. Eles foram então solicitados a avaliar seu desejo por heroína e seus níveis de ansiedade.

Uma semana após a última administração de CBD, aqueles que receberam CBD tiveram uma redução de dois a três vezes nos desejos em relação ao grupo placebo. Hurd disse que a diferença entre os dois grupos de CBD era insignificante.

A equipe de pesquisa também mediu a frequência cardíaca e o cortisol, o “hormônio do estresse”, e descobriu que os níveis naqueles que receberam CBD eram significativamente menores do que aqueles que não haviam recebido a droga.

Os pesquisadores usaram o Epidiolex, o primeiro medicamento à base de cannabis aprovado pela FDA, como sua fonte de CBD.

Com muitos produtos CBD no mercado, a concentração exata de CBD é desconhecida. Além disso, eles podem ter aditivos, como pesticidas e até mesmo chumbo. Mas, disse Hurd, com Epidiolex a concentração exata e outros ingredientes da droga são conhecidos, o que foi fundamental. “Estamos desenvolvendo um remédio. Não estamos desenvolvendo uma cannabis recreativa”, disse ela.

Os participantes relataram muito poucas reações ruins, como diarréia leve, dor de cabeça e cansaço. Essas descobertas são semelhantes às de um estudo piloto realizado por Hurd, mas ela diz que o próximo passo é fazer um estudo de longo prazo, seguindo os assuntos por até seis meses.

Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br

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