diabetes tipo 2

Uma combinação de pioglitazona e do agonista do peptídeo semelhante ao glucagon (GLP-1) exenatida pode representar uma alternativa efetiva e segura à insulina para tratamento do diabetes tipo 2 em pacientes que estão mal controlados apesar do uso de metformina e uma sulfonilureia.
Os achados do estudo aberto randomizado de 12 meses Qatar foram publicados on-line em 17 de janeiro na Diabetes Care pelo Dr. Muhammad Abdul-Ghani, do Hamad General Hospital, em Doha (Qatar), e do University of Texas Health Science Center em San Antonio, e seus colaboradores. Os resultados foram apresentados primeiro no encontro da American Diabetes Association (ADA) em Nova Orleans, no último ano.
A exenatida melhora a função das células beta, enquanto a pioglitazona, uma tiazolidinediona (TZD), melhora tanto a função das células beta quanto a sensibilidade à insulina. Juntos, eles corrigem os defeitos metabólicos maiores responsáveis pelo desenvolvimento da hiperglicemia progressiva no diabetes tipo 2, escrevem o Dr. Abdul-Ghani e colegas.
Os 129 pacientes randomizados para a combinação apresentaram uma redução 1% maior na HbA1c, uma taxa três vezes menor de hipoglicemia, e menor ganho de peso quando comparados com 122 pacientes randomizados para terapia de insulina em bolus basal. Todos foram mantidos em uso de metformina e uma sulfonilureia, embora o protocolo de estudo permitisse que a última tivesse sua dose reduzida.
“Ao contrário do dogma padrão”, escrevem os autores, os resultados “demonstram que mesmo em indivíduos com diabetes tipo 2 de longa duração e muito mal controlado, combinar a terapia combinada com um agonista de receptor de GLP-1 mais pioglitazona pode levar a HbA1c a níveis de normais ou quase normais”.
A Dra. M. Sue Kirkman, professora de medicina e diretora médica da Diabetes Care Center Clinical Trials Unit na University of North Carolina School of Medicine, Chapel Hill, estava presente quando o estudo Qatar foi apresentado no encontro da ADA.
Solicitada a comentar agora que ele está publicado, a Dra. Sue disse ao Medscape: “Os resultados do estudo são impressionantes e certamente contradizem o senso comum de que a terapia com insulina é a única opção para pacientes com diabetes tipo 2 de longa duração que apresentam controle glicêmico ruim com vários agentes orais”.
No entanto, ela acrescentou que limitações do estudo incluem ele ter sido realizado em um único centro (em Doha) e com uma população etnicamente homogênea, que também não tinha comorbidades significativas.
“A realização desses estudos em uma população de pacientes com diabetes tipo 2 avançado mais típica, com comorbidades renais ou cardiovasculares, permitiria uma melhor avaliação da generalização desses achados, assim como os riscos e benefícios em longo prazo”, disse a Dra. Sue, acrescentando que “estudos maiores também poderiam nos ajudar a decidir se os temores atuais e o uso limitado das TZDs são justificados ou não”.

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