No esporte de alto rendimento, o sucesso não é condicionado apenas pelo nível de habilidade técnica apresentado pelo atleta, ele é resultado de uma somatória de fatores físicos e mentais, que aliados a essas habilidades e a tecnologia contribuem para que os objetivos mais altos sejam alcançados. A dor é uma presença constante na vida de atletas, já que estão sempre em busca do melhor resultado e forma física. Para tratar ou reduzir essas dores diárias, acabam recorrendo a analgésicos e anti-inflamatórios. Entretanto, o abuso desses medicamentos, além de provocar os diversos efeitos colaterais amplamente conhecidos, incluindo problemas gastrointestinais, renais e cardiovasculares, também pode levar o atleta a uma pior recuperação pós-treino e, em última análise, a piora no desempenho e maior risco de lesões.

O Canabidiol (CBD), umas das substâncias extraídas da Cannabis sativa, tem sido cada vez mais reconhecido no esporte, principalmente pelo seu efeito analgésico no tratamento de contusões em atletas de esportes de alto impacto, além de ser um substituto saudável e não viciante aos opioides.  Ele promete não só ajudar na performance nas competições, mas também melhorar sua vida cotidiana.

Estudos indicam que a cannabis tem efeitos positivos significativos no esporte, como melhora da visão, relaxamento muscular, além de aumentar a oxigenação para os tecidos promovendo uma vasodilatação e broncodilatação. Outra função que os canabinóides desempenham é na extinção das memórias de medo, interferindo nos comportamentos aversivos aprendidos. Atletas que passaram por eventos traumáticos em suas carreiras esportivas podem se beneficiar de tal efeito.

Desde 2004, quando a Agência Mundial Antidopagem assumiu a responsabilidade de estabelecer e manter a lista de substâncias e métodos proibidos no esporte (ou seja, a Lista Proibida), os canabinóides foram proibidos em todos os esportes, apenas durante a competição. A base para essa proibição pode ser encontrada no Código Mundial Antidopagem, que define os três critérios usados para considerar o banimento de uma substância. Nesse viés, os critérios para inclusão de uma substância, classe de substâncias ou método na Lista Proibida são definidos na seção 4 do Código. Os critérios são (i) potenciais para melhorar o desempenho; (ii) risco para a saúde dos atletas; e (iii) violação do espírito esportivo. A grande maioria dos representantes esportivos e governamentais concorda com o status da cannabis, assim, o assunto continua a ser debatido com frequência.

 A aposta no CBD é tão grande que nos Jogos Olímpicos de Tóquio ele não será mais considerado doping. A Agência Internacional Antidoping deixa bem claro, contudo, que o CBD é o único elemento permitido.

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